quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Diário alheio, parte I. Ironia dos menos abastados.
No que o outro, curvado no andaime uns metros acima, respondeu: Subi! Só construindo prédio pra MRV!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Carta ao templo.
Recentemente, abriu, uns metros acima da minha casa, na rua Frei Otto, um templo evangélico. Instalado em um espaço onde, nos meus tempos de criança, funcionava uma padaria, e desde então permaneceu fechado, o templo tem produzido mais barulho do que o desejado por mim e que o permitido pela lei. Com a idéia de estabelecer uma política de boa vizinhança, escrevi uma cartinha destinada ao pastor do lugar. Vou dormir feliz por ter exercido um direito, mas não sei como acordarei. Caso a carta não seja bem recebida, fica registrado aqui a causa de um hipotético mal estar.
Caros freqüentadores, freqüentadoras do templo, e caro(a) senhor(a) pastor(a) que o preside,
meu nome é Carlos, sou estudante, e moro aproximadamente 50 passos distante do templo, em uma casa calma, onde passo grande parte do tempo exercendo minha função – estudando, e onde vivo com minha família, que não professa o credo pelos senhores e senhoras estudado.
Acontece que há alguns dias tenho sofrido com uma enorme dificuldade de concentração, que tem competido com o som emitido de seu templo, e não está ganhando.
Peço que os senhores e senhoras observem com atenção se há mesmo necessidade de usar microfone e amplificadores para se fazerem ouvir entre si enquanto oram. Se possível, façam menos barulho.
Na certeza de que darão atenção aos anseios de um cidadão, com direito ao silencio possível nas metrópoles e sem intenção alguma de ofende-los, aguardo, respeitosamente, por uma resposta silenciosa.
Belo Horizonte,22/10/2009
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Saúde pra fazer política, dar e vender.
Há que se discorrer sobre o potencial político de cada uma. Sobre o passado em cargos públicos. Há que se especular sobre a lisura das possíveis candidatas. Coloca-las em debate. Questiona-las. Testa-las fisicamente, e com a maior responsabilidade possível. Para tanto, é conveniente que tenhamos certeza de que os corações dessas mulheres aguentam. Coração, pulmões, rins, músculos, estômago, glândulas, linfonodos. O atestado de saúde se faz tão necessário quanto o de competência. Nesse sentido, vale levantar alguns dados sobre o estado físico dessas mulheres que poderão significar, entre outras interpretações, a equivalência de direitos entre homens e mulheres na democracia brasileira.
Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima tem em sua ficha médica hepatite, por duas vezes, leishmaniose e contaminação por mercúrio. Essas informações estão disponíveis em reportagem na Revista Playboy de junho de 2007, para a qual Marina não posou nua. Na matéria não consta os tipos de hepatite contraídas pela ex-ministra, mas sabe-se que as variações B e C crônicas não têm cura, apenas tratamento que freia o processo de destruição do fígado. Fígado que, segundo Adriana Negreiros, autora do texto, já foi comprometido pelos remédios contra malária que foram utilizados no tratamento da primeira hepatite. Durante parte dos tratamentos a que foi submetida para solucionar ou amenizar várias das enfermidades pelas quais já passou, Marina exerceu função pública. Discursava sentada no Senado, com autorização especial, uma vez que o regulamento da casa não permite esse posicionamento.
Dilma Vana Rousseff, liberta de doenças tropicais, preenche sua ficha médica pública – no sentido de exposição pública, não do sistema público de saúde – com um câncer linfático, tido por curado; ainda que cura, no que diz respeito a câncer, seja algo passível de relativização.
Exemplos de superação são sempre bem vindos, mas é necessário considerar o desgaste que se dá com o tempo, que se abate sobre a saúde e que pode ter efeitos ruins na governança. Em todo caso, saúde, ministras!
domingo, 9 de agosto de 2009
Saiu no jornal II.
A mídia brasileira está de cama, febril, constipada e dolorida em função de um vírus que não sai de seu corpus profissional. H1N1 é o nome da desgracinha que infectou os jornais e colocou os jornalistas de repouso em relação à muitos dos acontecimentos relevantes que estão fora do núcleo celular tomado por esse porco microscópico.
A orientação de descanso é inabalável, e os jornalistas estão repousando sobre as campanhas que visam a prevenir a proliferação dos mosquitos transmissores de Dengue. A massa jornalística é tão grande que as pobres campanhas, já abatidas pelo cansaço, mal conseguem sair do lugar. Nesse contexto, a dona de casa que já custa a abandonar o sofá quando ouve que uma doença aí pode causar manchas avermelhadas, dores de cabeça e no corpo, nem ousa se mexer, tendo em vista que não se lembra mais dela e só tem ouvidos para a gripe Suína, que às vezes se chama H1N1, às vezes gripe A. Portanto, novos jornalistas, não se preocupem em ter compromisso com o que vinha acontecendo uma semana antes de o ‘primeiro porco espirrar sobre o primeiro mexicano’. Escrevam com a consciência tranqüila de quem não conhece os riscos de uma epidemia de Dengue, iminente nas proximidades de setembro, quando começam as chuvas. Concentre toda a sua porca atenção na gripe do porco que, por um eufemismo do destino, ficou conhecida como gripe suína.
E você, jornalista ousado, que sabe o impacto causado por uma contrariedade, pode dizer, sem maiores detalhes, que acha essa campanha um exagero e que não há motivos para tantas primeiras páginas, uma vez que você mesmo não conhece alguém que tenha falecido em função de complicações decorrentes dessa doença. Termine, então, com as glórias de um jornalismo bem humorado desejando a todos: Saúde!
Espirre mais sobre o assunto AQUI.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Saiu no jornal.
Juntamente de Paula Lírio, do Ativista Biscate, é inaugurada uma série de postagens benevolentes que visam a auxiliar os novos profissionais (mas nem tanto assim) que atuarão no mercado negro do jornalismo brasileiro. Daremos breves orientações a respeito de apuração (a arte de conseguir informações relevantes pelo google), redação e adjacências.
Aproveitando o frescor dos fatos, atacaremos na apuração sobre a morte de Michael Jackson, que ainda não foi confirmada pelo laudo médico do hospital em que ele está, mas que será amplamente divulgada assim mesmo. A regra número 1 é colocar o título antes de produzir a matéria, não importando se ele irá sintetizar ou não o conteúdo dela, portanto, qualquer chamada estranha serve, para tanto, sirva-se de expressões comuns somadas a ironias, que darão sofisticação e a impressão de que você manja do que está escrevendo, fica a sugestão: ‘Pop. Pop. Bateu as botas’
Seguindo do título, não se preocupe com o bigode, você, recém jornalista, é mesmo capaz de fazer com que seu leitor continue acompanhando seu texto sem dar a ele qualquer informação consistente e relevante antes do primeiro parágrafo, no qual você poderá expor rapidamente as circunstâncias da morte, se já souber delas, para em seguida interpretar seus efeitos na economia, na política, e evidentemente, no mundo Pop. Tendo em vista a falta de dados consistentes e a imensa necessidade de ocupar o espaço que seu editor lhe destinou, diga tudo o que você acha a respeito do assunto. Por exemplo, que você acha que a dívida de Michael será distribuída para seus parentes, e fale um pouco sobre Janet Jackson, que em foto na porta do hospital, não parece mais preocupada com o irmão do que com a possibilidade de receber a dívida. Pode somar dizendo que acha melhor morrer a viver com uma dívida estratosférica feito a dele (e nem esquente com os números da fatura, basta saber que era grande demais). Fale também que você acha que os fãs do ídolo estão decepcionados porque no orkut havia uma comunidade que o esperava para cadidatar-se a alguns cargos públicos e privados, como presidência dos E.U.A. e da EMI. Por fim, para evidenciar sua capacidade de realizar jornalismo interpretativo, diga que você acha que Justin Timberlake deve estar muito feliz, porque, sendo o retardatário do reinado POP americano, poderá agora reger esse império de música e poder (termine com as glórias de um jornalismo metafórico)!
para saber o que esse injornalismo representa, clique aqui.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Jornalistas por (IN)formação!

O Ministério Público Federal entrou com ação em outubro 2001 para que não seja exigido o diploma de jornalista para exercer a profissão. Uma liminar edita ainda em outubro de 2001 suspendeu a exigência do diploma de jornalismo.
A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e a União entraram com um recurso. Em outubro de 2005, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região entendeu que o diploma é necessário para o exercício do jornalismo. A decisão provocou um novo recurso do Ministério Público Federal no STF e, em seguida, com a ação para garantir o exercício da profissão por quem não tem diploma até que o tema seja definido pelo Supremo.
Em novembro de 2006, o STF decidiu liminarmente pela garantia do exercício da atividade jornalística aos que já atuavam na profissão independentemente de registro no Ministério do Trabalho ou de diploma de curso superior na área.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u582490.shtml
Vejo estudantes de jornalismo arrasados, quando não furiosos ou apáticos em função de o Supremo Tribunal Federal ter decidido pela abolição da obrigatoriedade de formação acadêmica para exercer a profissão. “É catador de latinhas quem não quer ser jornalista”, dizem os mais dramáticos/dramatizados.
Empresas jornalísticas, se quiserem, podem contratar pessoas para atuarem como jornalistas sem que tenham passado por uma faculdade que os habilite para tal. Isso acontecia a 40 anos, antes de a profissão ter sido regulamentada por meio de um decreto-lei, no período da ditadura militar brasileira. Como em 1988 foi promulgada uma constituição que garantia a liberdade de expressão e tudo o mais, os defensores da não obrigatoriedade do diploma argumentam que o decreto-lei não atende às exigências desse documento maior, portanto, ‘FORA, DECRETO-LEI’. Essa decisão pode significar que:
A moral, o glamour, o prestígio...
Recebem um ligeiro aperto de mãos e ouvem o sorridente e sussurrado ‘vai tomar no c*’. Mas isso não tem lá muita importância, uma vez que em médio prazo os profissionais qualificados pela academia podem fazer entender que são melhores na prática do que aqueles que fugiram da faculdade.
E o salário, oh:
Com a possibilidade de contratar uma pessoa que não passou pela academia, a empresa jornalística pode dizer àquele que passou pela formação acadêmica integral: ‘Ei, aquele sujeito ali faz o mesmo serviço que eu quero que você faça, mas o preço dele é melhor, não dá pra mudar o seu não, ein?!’. Ainda que não contratem jornalistas inexperientes e sem formação básica para exercer a profissão, as empresas têm esse argumento. A Folha de São Paulo é a favor da não obrigatoriedade do diploma, como a Associação Brasileira das Empresas de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ), ao passo que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) defendem a obrigatoriedade da formação acadêmica, portanto órgãos que representam as empresas jornalísticas são pela não obrigatoriedade do diploma, enquanto instituições que representam os jornalistas são a favor dessa exigência para o exercício da profissão.
Pensamentos isolados
A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão", disse Gilmar Mendes. Eu digo: vai pro inferno, Gilmar.
Acompanhe os comentários no blog do sindicato dos jornalistas de Minas Gerais (http://jornalistasdeminas.blogspot.com/) e veja o quanto as pessoas estão agarradas no diploma, sem mencionar a importância da formação acadêmica, que o precede, evidentemente. Falha quem está na faculdade por um atestado.
Em 2009, tem ocorrido uma série de discussões a respeito de jornalismo. Merecem destaque as organizações para a primeira conferência nacional de comunicação, que acontecerá ao final do ano, em Brasília, com recursos do Governo; a revogação da lei de imprensa, em abril, também pelo STF; e especialmente os trabalhos de uma comissão estabelecida pelo MEC e presidida por José Marques de Melo para definir novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo.
Antes de terminar, vejo no site da Folha: 18/06/2009 - 21h12
Deputado deve propor projeto de lei para regulamentar a profissão de jornalista
E pode ser que esse texto volte ao início.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Dia do namorado Avarento.

O caso é que alheios a esse espírito enamorado, havia por lá sujeitinhos como eu, que preferiam agregar no lugar de dar (!!!). E compravam provas de amor para si mesmos, tendo em vista que estavam livres para gastar o quanto pudessem, sem pensar no dia de amanhã, que já é hoje, porque estariam desobrigados a gastar com um outro alguém! Se fosse eu um riquinho, deveria levar minha paixão para comer fondue no Vecchio Sogno Ristorante, pagando uma conta dobrada, como manda o cavalheirismo. Se fosse um sujeito um tanto módico em relação às finanças, levaria meu chuchuzinho, docinho de coco, paixão, coração, amorzinho (...) para comer um cachorro quente ali no baiano, que é bom e barato, e como manda o cavalheirismo também pagaria conta dobrada. Mas por estar solteiro, gastei tudo ontem e de fato o que me resta é pedir um pão recheado na padaria e escrever no papel que o embrulha: de: Mim, para: Mim mesmo. Com muito carinho, Eu.

